A organização da sua casa é uma tarefa de toda a família ou espera-se que um único integrante seja responsável por ela? Cada elemento da família cuida da sua organização pessoal e de uma cota da organização familiar? Essas perguntas deveriam ser feitas em todas as casas e as respostas podem surpreender.

Sabemos que já percorremos um longo caminho desde as “senhoras do lar” do século passado até as mulheres de hoje, que podem desempenhar a função que quiserem. Até mesmo a função de cuidar do lar, se essa for a escolha dela.

Independentemente dessa evolução, ainda resiste em nós um certo ranço desse passado próximo. Uma voz na nossa cabeça, nem sempre muito sutil, ainda sussurra regras e responsabilidades que nos foram impostas muito tempo atrás. Hoje, a responsabilidade que nos cabe é a de ensinar aos nossos filhos (e parceiros, caso necessário) a serem independentes quanto aos seus cuidados pessoais e a fazerem sua parte no cuidado da casa.

Quando falo de cuidados pessoais, não estou falando sobre tomar banho ou escovar os dentes. Falo sobre não deixar um rastro de suas ações pelo caminho. Toalha molhada sobre a cama, pasta de dente aberta, pratos sujos na pia e roupas sujas pelo chão. É sobre isso que eu estou falando.

Em teoria, cada pessoa deveria ser capaz de cuidar do seu próprio “rastro”. Apesar disso, uma criação que dê pouca atenção à independência ou seja excessivamente indulgente quanto a deveres pode criar hábitos difíceis de se quebrar na fase adulta. Aqui é onde entra a nossa responsabilidade.

Acredito que, como mães e companheiras, nós temos o compromisso de preparar melhor nossos filhos e companheiros para essa igualdade de direitos que é uma conquista justa, além de inevitável. Assim sendo, de que forma podemos ajuda-los (e nos ajudar!) nessa reprogramação de hábitos e conceitos?

Não tem a menor ideia? Siga comigo. Vou dar algumas dicas.

A primeira categorização que precisa ser feita é separar os hábitos ainda em formação (filhos), dos hábitos já arraigados (namorados, maridos, companheiros…). Como seria de se esperar, moldar um comportamento é infinitamente mais fácil do que reprogramar um comportamento antigo. Mesmo assim, mantenha as esperanças. Mudanças são sempre possíveis.

 

Dica 1: Estimule sempre a independência

No caso dos filhos é bem fácil. Valorize a independência deles. Permita que eles realizem as tarefas, mesmo que você não os considere capazes ainda de as realizarem corretamente. Se for o caso, supervisione, se achar que pode haver algum risco, e refaça depois, se o resultado final ficar bem aquém das expectativas, mas incentive que eles façam.

Estabeleça um sistema de tarefas pré-definidas para cada filho, se possível em um quadro, onde eles mesmos “quitam” quando completarem cada tarefa. Premie quem terminar suas pendências do dia com 15 minutos a mais de brincadeira antes de dormir ou algo semelhante.

No caso de adultos, sempre sugiro acordos. Tentar apresentar seu ponto de vista, sob o aspecto da igualdade, é sempre um bom começo. Infelizmente, um bom começo que, apesar de necessário, com muita frequência acaba sendo sabotado pela força dos hábitos anteriores.

Existe boa vontade, uma real intenção de cumprir os acordos, mas os comportamentos de praxe não tardam a reaparecer. Sugestão: Não desanime. Não resmungue incessantemente. Não ceda facilmente nas regras do acordo.

Isso nos leva diretamente ao tópico seguinte.

 

Dica 2: Adestrament…, quer dizer, criando/modificando hábitos

Um moço bem espertinho, chamado Ivan Pavlov, nos deu ótimas indicações para o condicionamento humano (OK, canino também.). Para entender seus métodos, uma palavra que devemos sempre nos lembrar é reforço.

O reforço positivo vem através da recompensa, seja ela na forma de aplausos, elogios ou prêmios. O reforço negativo vem através da punição, seja na forma de bronca, de castigo ou de cara feia. Recomendo fortemente o uso do reforço positivo, os resultados são infinitamente melhores.

Nesse quesito específico, exceto pela forma de apresentação das recompensas, o funcionamento dos adultos não se difere muito do das crianças. Ser elogiado por uma realização desperta no ser humano o desejo de repetir aquela ação que gerou o elogio. Afinal, receber uma recompensa é um fator extremamente motivador para reproduzir mais uma vez o que gerou a recompensa.

Elogios fazem milagres para despertar a colaboração da família

Portanto, para filhos ou companheiros, elogie. As crianças arrumaram a cama, embora ela mais se assemelhe a um ninho de passarinhos recém construído? Elogie. O maridão lavou toda a louça do almoço de família, embora alguns pratos exibam recordações da refeição servida neles? Elogie.

Com o tempo, o elogio não será mais necessário, pois os novos hábitos estarão incorporados à sua família. Assim como a ideia de que essa participação não é nenhum mérito especial, apenas um dever de quem convive no mesmo ambiente.

Por via das dúvidas, não apresse a transição entre as fases. Mantenha os reforços positivos até que você esteja inteiramente convencida de que o novo padrão foi assimilado.

 

Dica 3: Pa-ci-ên-cia

Sim, existirão momentos em que você vai querer explodir e admitir publicamente que todos os habitantes da sua casa possuem duas mãos esquerdas e que você prefere fazer tudo sozinha. Nesse momento, tranque-se no banheiro, saia para passear com o cachorro ou faça meditação, mas nunca, jamais, em tempo algum, faça uma sandice dessas.

Reduza suas expectativas, lembre-se que você está em uma cruzada de treinamento e não desista. Leve em conta que a prática levou você à perfeição (ou algo bem próximo), a sua equipe precisa de algum tempo para aprimorar o desempenho.

Um pensamento que costuma ser de grande consolo é se recordar de como era exaustivo ser responsável pela quase totalidade das ações de manutenção da casa. Não é recompensador fazer parte de uma família em que cada um faz a sua parte e todos colaboram para o bem comum?

Então se lembre que sua função já foi a de ser a única responsável pela manutenção da casa. Hoje é de educar quem estiver ao seu alcance sobre essa tarefa ser compartilhada por todos os integrantes da casa, para que no futuro nossos filhos vejam essa parceria de forma natural e colaborativa.

É uma bela visão do futuro, não é mesmo?

#MonicaCamargo

 

Mônica fez parte das Organizadoras até fevereiro de 2019!

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