Recentemente, participei de um ciclo de palestras promovido pelas fantásticas organizadoras do 4Office, aqui no Rio de Janeiro, e várias colocações dos profissionais envolvidos me deram estímulo para abrir ainda mais meus horizontes em relação à organização. Algumas por serem novidades e outras por terem uma identificação imediata com o que eu penso.

Nessa área da identificação, destaco a palestra da psicóloga , e agora também parceira de profissão, Márcia Parga. Partilho com ela a visão a respeito da nossa profissão. O organizador não é um profissional puramente técnico, que apenas detêm o conhecimento de dobras, regras de arquivamento e equilíbrio estético. A nossa profissão restaura a saúde das pessoas.

Já sei. Deixei vocês confusos. “Como assim? Agora profissional de organização vai me entregar uma receita e recomendar que eu compre algo na farmácia?”. Não, nada disso. O conceito de que a ausência de saúde só acontece na presença da doença explícita já caiu em desuso. A ausência de bem estar já é um indicador de que a saúde de um indivíduo está comprometida.

 

Bem estar e equilíbrio

Sob essa ótica, fica fácil entender que a constante desorganização externa (dos ambientes) é sinal claro de um processo de desorganização interna (mental ou emocional). Quando nos sentimos incapazes de equilibrar e controlar o ambiente físico ao nosso redor é porque nos falta equilíbrio interno.

No processo de recuperação desse controle – ou reintegração de posse, como eu gosto de chamar – o organizador pode ter um papel fundamental para ajudar esse indivíduo. Afinal, o espaço externo organizado pode funcionar como causa ou consequência. Compliquei de novo, né? Vou explicar.

 

Reintegração de posse

A desorganização que envolve os objetos de uma pessoa, o ambiente em que ela vive e até mesmo a programação dos compromissos diários que ela assume pode representar tanto um reflexo da desorganização interna, quanto um pedido de socorro. Como quase todas as coisas funcionam em mão dupla, na base da ação e reação, terceirizar esse processo de reestruturação externa pode alavancar o processo de reestruturação interna. A partir do momento que a pessoa consegue visualizar algo funcionando ao seu redor, com lógica, clareza e funcionalidade, isso traz tranquilidade. Traz também o desejo de que suas próprias emoções e pensamentos encontrem aquele funcionamento adequado e produtivo.

Todo esse cenário é muito fácil de perceber quando notamos as sensações que um ambiente tomado pela bagunça nos causa. Confusão mental, desconforto e o desejo de nos retirarmos daquele ambiente são as mais comuns. Agora imagine as mesmas sensações despertadas pela bagunça dentro de você. Aposto que não foi prazeroso imaginar isso. Com o agravante de que podemos fugir temporariamente de um espaço confuso, mas se existe uma forma de fugirmos da confusão mental sem organizá-la alguém me conte porque eu não conheço.

 

Organizando vidas

Essa é a razão pela qual eu defendo que o profissional de organização não organiza armários, arquivos, livros, fotos, agendas ou qualquer outro serviço técnico que você possa imaginar. Ele organiza vidas!

Ele detém, ou tem capacidade suficiente para obter, o conhecimento técnico necessário para colocar em prática qualquer projeto de organização que ele defina, mas a sua principal habilidade é avaliar, ouvir, compreender o ser humano à sua frente e traduzir os problemas dele em uma solução personalizada.

De nada vai adiantar o profissional ser especialista nas mais elaboradas dobras, nas técnicas mais modernas de arquivamento digital e nas melhores técnicas de feng shui do hemisfério oriental se ele não souber interpretar o seu cliente. Se ele não souber traduzir os problemas desse cliente, fazendo uma leitura delicada dos hábitos dele; do que pode ser oferecido e que ele poderá se adaptar; do que deve ser modificado e do que o cliente precisa que seja mantido, nada disso fará sentido. Será apenas uma foto bonita para postar no Instagram, sem realmente impactar a vida do cliente, sem trazer uma melhoria de vida ou alavancar a mudança.

Se alguém ainda tem alguma dúvida de que a atividade de Personal Organizer se enquadra na área de Ciências Humanas e não na área Técnica, é porque não teve a oportunidade de contratar um bom profissional.

Não desista. Existem muitos bons profissionais no mercado. Se apenas a técnica definisse um profissional, qualquer um poderia montar um projeto com a ajuda do Google e do Pinterest, não é mesmo?

Mônica fez parte das Organizadoras até fevereiro de 2019!

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