Saiba que acumular receitas culinárias, da mesma forma que  muitas drogas, pode causar dependência. Assim sendo, estou dando esse aviso generoso, pois já tive esse problema. Aviso logo que a recuperação desse vício é longa e dolorosa. Você começa com uma receitinha fácil e inocente do site da Ana Maria Braga e quando dá por si está tentando traduzir uma receita original francesa de crème brûlée.

A motivação é sempre bem intencionada, o que não impede que você acabe tendo receitas espalhadas por vários locais da sua casa. O pior é que, se você for honesta(o) consigo mesma(o), vai admitir que nunca foi para a cozinha executar nem 2% delas. Acertei? Mesmo quando nos lembramos de uma receita ma-ra-vi-lho-sa que pegamos outro dia e queremos experimentar esse domingo, ela provavelmente estará na biblioteca de Nárnia, porque você não consegue localizá-la de jeito nenhum.

Se você quiser acabar com essa frustração agora mesmo, vem comigo que eu ensino em poucos passos como eliminar essa bagunça e organizar suas referências culinárias. Garanto que essa atitude irá aumentar, em muito, as suas chances de efetivamente realizar uma ousadia gastronômica quando a inspiração bater.

 

Primeira providência: Busca e apreensão

Não se espante. É realmente um processo de investigação. Acredite, somos muito criativos na hora de anotar receitas que provocam fantasias nas nossas papilas gustativas. De antemão, recolha todas as receitas: as impressas, as rabiscadas em guardanapos de papel, as gravadas no celular, as escritas em cadernos que nem lembramos que temos, as que recebemos por e-mail… Enfim, faça um brilhante trabalho de CSI e passe um pente fino na sua casa e escritório (É, eu sei que tem algumas por lá também.).

 

Segunda providência: Triagem

Para a triagem, precisamos ser muito realistas e honestas. A princípio, passe pelo crivo as receitas “irreais”. Elas são as primeiras a serem descartadas. Você sabe quais são e certamente tem várias delas por aí. São aquelas que envolvem preparos ou ingredientes tão surreais, que nós jamais iremos preparar, por mais deliciosas que pareçam. São aquelas receitas que envolvem gotas de orvalho das maçãs das terras gaúchas, colhidas por freiras virgens, de olhos azuis.  Conhece o tipo, não é? Tenha coragem e desista delas.

Logo depois, a segunda leva da triagem captura aquelas que estão incompletas, rasgadas ou ilegíveis. Elas são inúteis e só despertam um sentimento de frustração a cada vez que você tropeça nelas. Nada bom.

 

Terceira providência: Organizar

Agora que conseguimos reunir apenas o que é útil e viável, vamos organizá-las em três passos simples:

  • Separe as favoritas: Essas são as receitas já testadas e aprovadas por você. Antes de mais nada, elas devem ficar separadas das que ainda não passaram pela sua aprovação.

  • Categorize: Depois de separadas as favoritas, categorize o restante da forma que mais faz sentido para você. Afinal, nem sempre a categorização mais conhecida e óbvia é a que funciona para você. O método mais conhecido é: Entradas, Salgados, Doces, Bebidas e por aí vai. Um método que não funcionava para uma cliente que associava as receitas às avós e tias, que assim como ela, faziam parte de um clã altamente produtivo, gastronomicamente. Afinal, não importa o critério, seja pelo nível de dificuldade ou por preferência de cada membro da família, ele tem que fazer sentido para você.

  • Arquive: Posteriormente, é o momento de ter um único lugar para centralizar todas as suas referências culinárias. As opções no mercado são inúmeras. Certamente, entre cadernos, ficheiros e fichários, você vai poder escolher a forma que mais lhe agrada e imediatamente começar a produzir o seu acervo.

Modelo da Elo7

Garanto a você que o simples fato de ter todas as receitas organizadas de forma coerente e agradável vai ser suficiente para estimular a sua vontade de se arriscar mais pelo saboroso mundo das guloseimas.

Ah, claro. Se nessa organização aparecer alguma receita muito deliciosa e fácil, manda para mim!

 

 

Mônica fez parte das Organizadoras até fevereiro de 2019!

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