Saber como funciona o orçamento para um projeto de organização é uma das maiores curiosidades do público aqui do Organizadoras, como a Luiza e a Fabíola mostraram nesse vídeo. Portanto, imagino que essa possa ser a mesma dúvida de várias outras pessoas que nem chegam a nos fazer perguntas. Se for esse o seu caso, hoje será o dia de esclarecê-la.

Entender o passo a passo dessa etapa inicial pode trazer mais tranquilidade para aqueles que sonham em solicitar um projeto, mas se sentem inseguros por desconhecerem os detalhes de todo o processo. Garanto que, quando eu acabar de apresentar a vocês todos os detalhes, vocês se sentirão seguros e ansiosos para colocar o seu projeto em prática.

 

Visita técnica

É assim que nós, profissionais de organização, chamamos o primeiro contato presencial feito com o nosso cliente: visita técnica.

Agora que vocês já foram apresentados ao termo correto, vamos à apresentação do processo em si. Tudo começa com um contato da pessoa interessada no serviço com o personal organizer. Seja através da indicação de um amigo ou devido a uma pesquisa nas redes sociais, haverá uma ligação, um e-mail ou qualquer outra forma de contato não presencial.

Pausa para sugestão pessoal: Sugiro fortemente que exista um contato telefônico antes da visita técnica. Empatia e boa comunicação são primordiais para que esse relacionamento cliente/organizador resulte em um projeto que traduza com perfeição as suas necessidades. Dito isso, quais as chances de que um profissional que não conseguiu interagir adequadamente com você nem por telefone, consiga interpretar suas necessidades o suficiente para traduzi-las em um projeto? Exatamente.

Se a conversa telefônica deixou você se sentindo seguro o bastante para ir em frente e ouvir um pouco mais desse profissional, você terminará essa ligação com um agendamento. Nesse momento, vocês também combinarão se haverá um custo por essa visita ou não.

Alguns profissionais cobram uma taxa, que pode ou não ser abatida do preço final do serviço, se o mesmo chegar a ser fechado. Pessoalmente, eu fico no time das que não cobram por um orçamento, exceto se for muito fora da minha área geográfica de atuação.

Apesar da presença do cliente não ser uma exigência durante todo o intervalo de tempo da organização, em algumas etapas ela é fundamental. Não consigo imaginar a criação de um projeto pessoal para um cliente sem conhecer as necessidades e expectativas dele. Intermediários, por mais bem informados que estejam, podem criar uma base de informações imprecisa que provavelmente irá impactar na correta adequação do projeto.

 

O dia da visita técnica

A primeira dica aqui é que a ideia de “camuflar” um pouco as coisas para evitar o julgamento do organizador é tão útil quanto disfarçar uma alergia de pele com um pouco de base antes de ir ao dermatologista. Não apenas inútil, quanto antiprodutivo também.

O profissional precisa coletar a maior quantidade possível de detalhes a respeito dos seus hábitos pessoais e das rotinas que fazem parte do seu dia a dia, para ser capaz de propor soluções mais funcionais e adequadas. Esses detalhes são coletados através da observação ativa e de um caderno de notas ou um formulário bem minucioso que a maioria dos organizadores leva nessa visita de reconhecimento do terreno.

Se o ambiente recebeu alguma camuflagem, fica mais difícil de se acertar o alvo. Exemplo: As suas chaves ficam SEMPRE em cima da mesa de jantar, mas no dia da visita elas foram recolhidas para não aparentar bagunça. Resultado? O personal organizer não saberá que precisa criar uma solução para as suas chaves. Entendeu a ideia?

 

O que é preciso saber para o orçamento

Passados os cumprimentos e o rápido bate-papo para esclarecimento do que acontece a partir daquele ponto, o organizador inicia o tour, guiado pelo cliente, pelas áreas a serem orçadas. Durante esse rápido passeio, ele fará perguntas e anotações sobre todos os fatores que farão parte da montagem do projeto ou que terão impacto nos valores do orçamento. Quer um exemplo do tipo de perguntas que são feitas? Vamos lá:

  • Quantas pessoas utilizam esse ambiente?
  • Qual é a sua maior queixa a respeito desse espaço?
  • Existe mais material a ser alocado nesse ambiente, que não esteja aqui agora?
  • A triagem, com o descarte dos objetos, será feita junto com a organizadora ou será feita previamente?
  • Aceita sugestão de produtos organizadores para favorecer a organização?

Pausa para sugestão pessoal: É possível fazer uma organização sem produtos organizadores? Com certeza. Fatores como marcenaria planejada ou espaço amplo permitem que possamos seguir sem esses produtos. O resultado é melhor COM produtos organizadores? Na esmagadora maioria das vezes, sim. Eles economizam o uso do espaço e colaboram muito na manutenção da organização, pois você sabe exatamente para onde os objetos devem retornar.

  • É possível estacionar o carro aqui no prédio?
  • Existem estacionamentos próximos?
  • Existem restaurantes próximos?
  • A organizadora pode utilizar a cozinha para realizar refeições trazida de casa?
  • A que horas o trabalho pode ser iniciado e terminado, diariamente?
  • Quem acompanhará o trabalho da organizadora?
  • Será necessária a cotação de um profissional para a limpeza dos ambientes ou os mesmos serão entregues higienizados?

Obviamente, cada profissional tem seu próprio roteiro, mas no geral, as perguntas giram em torno desse tipo de informação. Dependendo do tamanho do espaço a ser orçado e do grau de complexidade, essa visita pode levar de 15 a 40 minutos.

 

O que o organizador faz com essas informações

O primeiro resultado da compilação dessas informações é a idealização do projeto e consequentemente o cálculo estimativo das horas que serão consumidas na conclusão dele. Com essa informação em mãos, o número total de horas do projeto será distribuído pela quantidade de horas diárias de trabalho de cada profissional e encaixadas na janela de disponibilidade diária fornecida pelo cliente. Esse cálculo nos dará a quantidade de dias necessários para a finalização do trabalho.

Mais uma vez, não existe um padrão de número de horas trabalhadas por dia ou valor cobrado por essa hora. Cada profissional estabelece esses valores com bases diversas, incluindo seu nível de experiência e grau de dificuldade do projeto. Em cima desses valores fixos, entram os custos variáveis: deslocamento, alimentação, profissionais sub-contratados para o projeto, etc.

Os produtos organizadores, em geral, são sugeridos pela organizadora e o cliente decide como proceder. Assim, ele pode aceitar a sugestão ou não e decidir se a compra será feita por ele mesmo, pela organizadora ou se a farão juntos. Os custos dos produtos organizadores não fazem parte da proposta de serviços.

 

Bem, a partir daí o orçamento será encaminhado ou entregue e a bola está com vocês. Verifiquem trabalhos anteriores, peçam referências, avaliem o profissionalismo com que o organizador lida com esses primeiros contatos e confiem em seus instintos.

Se precisarem de um orçamento no Rio de Janeiro ou em Porto Alegre, estamos à disposição.

Mulher, agitada, "quase" perfeccionista, dona de um estilo eclético e interesse nas mais diversas áreas. Depois que eu me espalho, só a organização me junta!

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